domingo, 2 de novembro de 2014

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Eu não tomava banho frio. Não gostava de sentir a água gelada bater no meu corpo avisando que eu estava ali. Durante todo esse tempo estive afundada em mim mesma e em todos que em mim encostavam. Sempre ia uma parte minha. E nunca voltava. E isso me irritava, me tirava a estribeira. - "Não!" é o que eu dizia todas as inúmeras vezes que a vontade de trocar a chave do chuveiro de "inverno" para "verão" aparecia. E eram poucas vezes. Eu acostumei com o inverno. Não fazia questão em mudá-lo e quando ela vinha, eu dizia a mesma -"Te aquieta que eu sei o que bem faço!". Mas no final eu não fazia nada. Me acostumei. Tinha me tornado o próprio inverno. A pele queimava, e eu não sentia. É curioso como nos acostumamos com o podre, não? Ele é mais fácil. De manter. E só. Meu corpo se recolhia assim que eu ligava o chuveiro. No primeiro cair da água me vinha o arrepio e o gelo. Depois ela se acostuma e rapidamente se aquece. Fica difícil respirar. O banheiro fica trancado impedindo que o vapor saia. E fica mais difícil ainda de respirar. Uma janelinha se abre para que você respire, mas assim que o vento toca sua cabeça vem as dores de ouvido pelo contato rápido entre o frio e o calor extremo. Como isso é possível?
A vontade de mudar a chave hoje veio. E aconteceu. E foi inexplicavelmente melhor. A água caiu, veio, o meu corpo enfrentou e pediu socorro, mas não entreguei. Dessa vez não. Eu teria de enfrentar o inverno se quisesse me sentir melhor. Aquela situação não me levava a nada e nem me ajudava em nada. E foi a única que eu encontrei durante anos. Mas não. -"DESSA VEZ NÃO!" é o que eu repetia batendo os pés contra a água, com o corpo arrepiado e os ouvidos doendo pela sensibilidade.
Ao cair, ela foi esquentando. Durante o dia o sol deve ter tirando o seu gelo e deixado só o frescor. E só deixei que acontecesse, que caísse, que fosse pelo ralo, que ela fosse por si encontrando a temperatura exata, e com um pequeno ajuste de volume de água ela conseguiu. Aliás, nós, nós conseguimos. Não vou tirar o meu mérito nessa história.
Ela continuou caindo, e eu a sentia, mesmo que com pequenos cortes de volume de água ela acabasse por ficar mais quente ou mais fria, eu ainda deixei que acontecesse.
Deixei fluir, deixei cair.
E não me arrependi. Não até agora.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Esperando que os dias apenas passem.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

23:46

Aquelas discussões complexas que me dão dor de cabeça, todos aqueles termos científicos (que tentam justificar metade das coisas que nos rodeiam) e todas as pessoas com aquele embasamento teórico na ponta da língua: eu não nasci pra isso. Não falo bonito, não encho linguiça. Eu não sei qual é a minha na verdade, me interesso tanto pela área, tento ao máximo aprender sobre mas no final eu só quero ficar quieta sentindo o que puder à flor da pele, me esquecer de todos esses termos, essas justificativas que tampouco me satisfazem.... Só quero ficar escutando a 40 days do Slowdive o dia inteiro e repetindo "if i saw something new, i guess i wouldn't worry" com esse fuzz cobrindo a voz do Neil e da Rachel.

Que bagunça.

sábado, 18 de maio de 2013

00:33

Guria, quanto tempo!

Você tem fugido de mim. O que tem acontecido? Por que sente as pernas bambas ao me dizer o que se passa por aí?

Você está diferente, mas dessa vez não é como ha tempos atrás, quando você se esquivava das minhas perguntas e escondia o rosto com receio. Agora você olha diretamente em mim e até consegue disfarçar o nervosismo, mas as suas mãos ainda tremem e eu vejo um suor na sua testa. As coisas melhoraram, sim? Você vai e volta mas não se perde, eu tenho observado, e isso tem sido bom pra você, acredito. As prioridades surgiram, as pessoas não te machucam mais como antes... Mas o que te impede tanto de colocar pra fora o que sente, algo que antes era tão fácil de se fazer?

Recomece.

Não suma!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

02:02

Despertar no vazio.

domingo, 13 de maio de 2012

01:11

Quando parei de verdade para pensar na minha vida e em tudo o que tenho, nos mínimos e nos mais complexos detalhes, vi um mar de incertezas. Que novidade! Não quero aquele mesmo velho e tedioso discurso sobre o grande vazio. Sei que o tenho. E que ele tem a mim. Eu não sei o que isso quer dizer, se estou de alguma forma amadurecendo, ou se estou me acomodando e aprendendo a me proteger. Ando cansada. Sem ânimo e sem vontade de nada e de ninguém. Prefiro um dia em cima de uma cama, regada a sonhos (nos quais sempre acordo ansiosa e angustiada) do que o esforço em produzir algo bom por dentro. Acho que me acostumei e me apeguei a dor. E sei que nada disso é bom. MAS ELA É INTENSA! E... de alguma forma... sem nenhuma desculpa ou fingimento.. Ela anda me causando sentimentos FORTÍSSIMOS. Coisas que GOSTO de sentir. COISAS QUE FAÇO QUALQUER CUSTO para sentir. E.. com ela tudo vem de uma forma tão fácil.


 Que bagunça, menina.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

00:16

Passei todos os dias da minha vida fugindo ser o que realmente sou. Inúmeras vezes desejei ser o total contrário do que minha essência pede: intensa, apaixonada, preocupada, regrada. São aspectos que me machucam, me limitam, me desesperam e me deixam assim: completamente sem chão, sem saber por onde começar as mudanças que tanto preciso.

Não é novidade alguma o quanto preciso saber dosar todas as coisas que sinto, tudo o que desejo. Não consigo acreditar em nada além do que realmente vejo. O divino é totalmente abstrato, não me chama atenção, não me traz nenhum tipo de conforto. Se não toco, se não sinto, se não recebo uma resposta, me desligo. Não acredito. Deixo de lado. Me desinteressa. Esnobo. Não quero respostas mal feitas. Quero o aqui e agora. O conforto na cabeça. A paz de espírito.

Tenho o sentimento mesquinho de inveja sobre todas aquelas pessoas que possuem pelo menos um pingo de equilíbrio em si, e que de alguma forma conseguem se expressar através de metáforas, algo que não fique tão explícito quanto faço. Me exponho, me deixo de lado, quero aprovações para todas as ações que faço. Preciso sempre me "encaixar". Do contrário...






Não há nada mais doloroso do que querer ser o contrário do que realmente se é.